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Alentejo Hoje

Dia Nacional de Alerta para a Alienação Parental assinalou-se em Évora

O diálogo “é a chave” para reduzir o sofrimento dos filhos perante o divórcio

Depois de lançar, em 2012, a Petição em prol da criação do Dia Nacional de Consciencialização para a Alienação Parental, a Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos (APIPDF), assinala pela segunda vez o Dia Nacional de Alerta para a Alienação Parental através de várias iniciativas que decorreram durante o dia de ontem em várias cidades do país, entre as quais &Ea

Maria Antónia Zacarias

06 Fevereiro 2015 | Fuente: Redação D.S.

Patrícia Mendes, psicóloga, mediadora familiar e membro da direcção nacional da Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos vai ser uma das oradoras da conferência e explica que o mais importante é haver, por parte dos progenitores, a consciencialização de que os principais prejudicados de um divórcio são os filhos. “A mensagem-chave a passar, com o evento é a de que devem conversar em conjunto com os filhos. Não tenham problemas em responder às perguntas dos filhos, tirem dúvidas. Não deixar nenhuma resposta por dar, mas sem dar demasiada informação, sobretudo quando os filhos são crianças”, sustenta.

A mesma responsável salienta ainda que o diálogo é o meio “mais correcto” para dirimir os conflitos. Como tal, pede-se aos pais que “encontrem uma forma de comunicação eficaz que não promova conflitos, conseguindo que ambos estejam sempre focados no interesse dos filhos. Isso tem que ser um trabalho conjunto”, evidencia.

Contudo, na relação entre os progenitores isso nem sempre é conseguido. “Quando isso não é possível, o melhor é recorrer à mediação familiar, podendo deste modo evitar-se o tribunal”, aconselha a mesma psicóloga.

A psicóloga afirma que este tema e outros tantos devem, cada vez mais, ser falados na sociedade como forma de minorar “o sofrimento que está subjacente a situações de divórcio” e que envolve o núcleo familiar, bem como a família alargada.

Patrícia Mendes lembra que, na génese do dia 5 de Fevereiro, está a simbologia associada à luta de um pai pelo direito da sua filha em conviver com ele de igual modo que o fazia com a mãe. “Pai esse, Cláudio Mendes, nosso associado, que foi brutalmente assassinado, na Mamarrosa em Aveiro, dia 5 de Fevereiro de 2011 num parque onde aquele pai teria ordem do tribunal para visitar a sua filha. Foi assassinado por querer ser pai, pelo amor à sua filha, pela luta desigual”.

A APIPDF promete continuar a trabalhar voluntaria e afincadamente, percorrendo o caminho da sensibilização para os direitos das crianças e para que os seus superiores interesses sejam salvaguardados, bem como direitos e deveres iguais entre pais e mães, “mas acima de tudo para que as nossas crianças possam conviver com toda a família, longe de quezílias e guerras desnecessárias. Dirimir esses obstáculos é sem sombra de dúvida a nossa missão”, sustenta a dirigente associativa.

Nesse sentido, a associação anuncia que está a finalizar um spot televisivo que conta com a participação da actriz Sofia Nicolson e o actor José Raposo, como forma de sensibilizar a população para os milhares de situações em que as crianças são todos os anos injustificadamente privadas de conviver com um dos progenitores. “A associação está a enviar todos os esforços para que um canal de televisão se associe a esta iniciativa de grande relevância para combater o fenómeno”, frisa Patrícia Mendes.

Núcleo Regional de Évora registou mais de 850 apoios em 2014

O Núcleo Regional de Évora da Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos, o primeiro a ser criado em Portugal, registou em 2014 mais de 850 pedidos de apoio nas suas várias valências.

De acordo com Nuno Vilaranda, membro da direcção nacional da APIPDF e do Núcleo Regional de Évora, o Grupo de Ajuda Mútua foi frequentado por cerca de 300 pessoas, desde pais, mães, filhos, madrastas, padrastos e avós. “Reúne-se de 15 em 15 dias, sendo frequentado maioritariamente por mulheres e mais de 90 por cento tem um grau académico elevado”, afirma. O principal motivo da procura “é o flagelo do divórcio, nomeadamente a desigualdade parental, mas também os filhos nos procuram para dar voz ao sofrimento”, explica.

No atendimento permanente, que aconteceu um dia por semana, sempre de forma gratuita, “acolhemos 50 pessoas, entre os quais também casais”. Nuno Vilaranda lembra que atenderam mais de 200 pessoas através de chamadas telefónicas e deram resposta a mais de 300 emails.

“Números que, comparativamente a 2013, revelam um ligeiro acréscimo”, justifica o mesmo dirigente, considerando que tal resulta do trabalho que “tem sido feito no terreno, neste caso, em Évora, divulgando a nossa associação e a missão que temos”.

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