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Alentejo Hoje

Entre magusto, água-pé e jeropiga

É dia de São Martinho. E castanhas porquê?

É festejado um pouco por toda a Europa. Mas as celebrações do Dia de São Martinho variam consoante o país. Por cá, a tradição manda fazer um grande magusto, beber-se água-pé e jeropiga. Mas também é aquela altura do ano em que se prova o novo vinho, produzido com a colheita do ano anterior. Aliás, o ditado popular sublinha esse desígnio: “No dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho”. O Ale

Roberto Dores

12 Novembro 2015 | Fuente: Redacção D.S.

Mas como é que aparece por aqui a tradição das castanhas? De comer castanhas, quentes e boas. Uma atrás da outra. Preferencialmente assadas. Segundo defendem alguns autores, casos de José Leite de Vasconcelos ou Ernesto Veiga de Oliveira, tudo começa na realização dos magustos, que remontarão a uma antiga tradição de comemoração do Dia de Todos os Santos, quando se acendiam fogueiras e aí se assavam as castanhas. Afinal, fruto da época, outrora muito mais acessível ao bolso das pessoas.

Hoje em dia um quilo de castanhas custa entre três e quatro euros, em cru, enquanto a castanha assada comprada nos tradicionais vendedores ambulantes ronda os dois euros a dúzia, mantendo-se o preço inalterado há vários anos. Já tinha este custo em 2010.

Há, contudo, países com outras tradições que vão ser seguidas à risca esta quarta-feira. Na Alemanha acendem-se fogueiras e fazem-se procissões, enquanto em Espanha matam-se porcos, tradição que deu origem ao ditado popular “a cada cerdo le llega su San Martín” (“cada porco tem o seu São Martinho”). Também no Reino Unido existe a expressão “verão de São Martinho” que, apesar de já raramente utilizada, está também ligada com a crença de que o tempo melhora por estes dias.

E sobre São Martinho?
Quem foi?

Nasceu em cerca de 316 na antiga cidade de Savaria na Panónia, uma antiga província na fronteira do Império Romano, na atual Hungria. Era filho de um comandante romano, vindo a crescer na região de Pavia (Itália) no seio de uma família pagã. Criado para seguir a carreira militar, foi convocado para o exército romano quando tinha 15 anos, viajando por todo o Império Romano do Ocidente.

Apesar de ter recebido uma educação pagã, foi em adolescente que Martinho descobriu o Cristianismo. Mas foi só mais tarde, em 356, depois de ter abandonado o exército que foi batizado. Tornou-se discípulo de Santo Hilário, bispo de Poitiers (na zona oeste da atual França), que o ordenou diácono e presbítero, regressando de seguida a Panónia, onde converteu a mãe. Mudou-se depois para Milão, de onde terá sido expulso juntamente com Santo Hilário. Isolado, terá passado algum tempo na ilha da Galinária, ao largo da costa italiana.

De volta à Gália, foi perto de Poitiers que fundou o mais antigo mosteiro conhecido na Europa, na região de Ligugé. Conhecido pelos seus milagres, o santo atraía multidões. Foi ordenado bispo de Tours em 371 e fundou o mosteiro de Marmoutier, na margem do rio Loire, onde vivia na reclusão. Pregador incansável, foi também o fundador das primeiras igrejas rurais na região da Gália, onde atendia tanto ricos como pobres. Morreu a 8 de novembro de 397 em Candes e foi sepultado a 11 de novembro em Tours, local de intensa peregrinação desde o século V.

É na data do seu enterro, três dias depois de ter morrido em Candes, que se comemora o dia que lhe é dedicado. Acredita-se que, na véspera e no dia das comemorações, o tempo melhora e o sol aparece. O acontecimento é conhecido pelo “verão de São Martinho” e é muitas vezes associado à conhecida lenda de São Martinho.

A lenda de São
Martinho

Num dia frio e chuvoso de inverno, Martinho seguia montado a cavalo quando encontrou um mendigo. Vendo o pedinte a tremer de frio e sem nada que lhe pudesse dar, pegou na espada e cortou o manto ao meio, cobrindo-o com uma das partes. Mais à frente, voltou a encontrar outro mendigo, com quem partilhou a outra metade da capa. Sem nada que o protegesse do frio, Martinho continuou viagem. Diz a lenda que, nesse momento, as nuvens negras desapareceram e o sol surgiu. O bom tempo prolongou-se por três dias.

Na noite seguinte, Cristo apareceu a Martinho num sonho. Usando o manto do mendigo, voltou-se para a multidão de anjos que o acompanhavam e disse em voz alta: “Martinho, ainda catecúmeno [que não foi batizado], cobriu-me com esta veste”.

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