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Da Moita a Viana do Alentejo

Romaria a Cavalo regressa à Canada Real e este ano há um novo projecto na forja

E à 15ª edição da Romaria a Cavalo entre Moita e Viana do Alentejo eis que surge uma nova ideia para aproveitar o circuito oferecido pela antiga Canada Real, também conhecida como “estrada dos espanhóis”: Ambas as autarquias e o professor da Universidade de Évora, Carlos Cupeto, estão a estudar a criação de um trajecto para percorrer a pé ou de bicicleta durante os 365 dias do ano. As partes estão convictas de que o turismo ir

Roberto Dores

09 Abril 2015 | Fuente: Redação D.S.

O anúncio do projecto foi feito ontem por Bernardino Bengalinha Pinto, presidente da Câmara de Viana do Alentejo, durante a conferência de imprensa de apresentação da 15ª Romaria a Cavalo, que vai ter lugar entre os dias 22 e 26 de Abril.

“A verdade é que o circuito está criado e até existem zonas de pernoitas. Queremos manter a parte estrutural permanente para que depois possa ser utilizada pelas pessoas que queiram fazer os percursos a pé ou de bicicleta”, explica o autarca, alertando que o projecto iria intensificar a aproximação entre Moita e Viana.

“A nossa economia poderia retirar partido disso”, sublinha, enquanto Carlos Cupeto explica o conceito já adoptado noutros países e com grande sucesso. “Em lugar de um evento pontual, é possível aproveitar o circuito todo o ano, porque o trekking (modalidade de caminhada) está a crescer muito no mundo e atrai o turista de ´classe A´, aquele que tem, efectivamente, dinheiro”, sublinha ao “Diário do Sul”. Para o representante da Universidade de Évora a região “tem tudo” para investir nesta aposta.

Desde o património, natureza, religião, cante, fandango, gastronomia, cavalos ou vinho. “É muito fácil infra-estruturar esta grande rota, à volta de 150 quilómetros, porque depois ainda teríamos a mais-valia estar próximos de Lisboa e Évora. Ou seja, ligamos a capital do país com aeroporto a uma cidade Património Mundial com 40 mil habitantes e três hotéis de cinco estrelas. Isto só existe em Portugal”, sustenta, garantindo que se trataria de um produto gerador de riqueza. “Colocar esta grande rota nos circuitos internacionais de trekking seria um sucesso”.

Também o presidente da Câmara da Moita, Rui Garcia, se mostra entusiasmado com a ideia. “Trata-se de aproveitarmos o que já ali está disponível. Mesmo com um investimento pequeno, desde que tenhamos a anuência dos proprietários, poderemos estar a criar uma importante atracção turística, numa modalidade que está a crescer e que pode ajudar a promover a região”, acrescenta a autarca.

Já quanto à romaria deste ano, o objectivo é “tentar melhorar ainda mais”, segundo Bernardino Bengalinha Pinto é voltar a juntar largas centenas de cavaleiros por esses campos fora, com partida da Moita e chegada ao Santuário de Nossa Senhora d´Aires. “Viana do Alentejo já é outra vila graças à Romaria, porque nos temos conseguido projectar e ajudado a potenciar a economia local. Quantas mais pessoas nos visitem tanto melhor para os nossos empresários, chocalheiros, oleiros e restauração”.

Esta já é a 15ª edição de uma romaria secular, que, ainda assim, sofreu uma interrupção de cerca de 70 anos até ser ressuscitada no ano 2000 por um grupo de amigos ribatejanos. Os agricultores da Moita deslocavam-se anualmente a Viana do Alentejo com os seus animais para, no dia da Procissão de Nossa Senhora d’Aires, pedirem à padroeira a protecção do gado e boas colheitas. O crescente abandono da actividade agrícola levou ao desaparecimento da tradição.

Os participantes são quase todos amantes dos cavalos de toda a natureza: Do desporto, ao de lazer, passando pela charrete”. Na cavalgada seguirá como sempre o carro-andor puxado por dois cavalos com a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem.

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