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Confraria do Figo e da Figueira da Índia reuniu-se no concelho de Arraiolos

Produtores marcam posição do fruto como alimento do futuro no mercado nacional

Informar e debater com os produtores as dificuldades que encontram nos processos da apanha até ao escoamento da fruta foi o que levou os membros da Confraria Gastronómica do Figo e da Figueira da Índia a reunir-se num encontro anual, desta vez, no concelho de Arraiolos, mais precisamente na sede do produtor Pepe Aromas.

Maria Antónia Zacarias

26 Junho 2019 | Publicado : 18:18 (24/06/2019) | Actualizado: 16:42 (26/06/2019) | Fuente: Redacção

De acordo com o presidente da confraria, a cultura do figo da índia ainda está a dar os primeiros passos, sendo a sensibilização a melhor forma de mostrar aos consumidores as grandes potencialidades deste fruto para que consiga assumir uma posição relevante no mercado nacional e internacional.
Após uma visita de campo à produção, cerca de 25 hectares, do produtor Pepe Aromas, localizado na antiga estação de comboios de Vale do Pereiro, concelho de Arraiolos, os confrades reuniram-se para participar em dois workshops sobre a apanha e maturação do fruto e outro sobre a conservação e escoamento.
Nelson Ventura, presidente da Confraria Gastronómica do Figo e da Figueira da Índia explicou que a confraria foi fundada em 2014, sendo a maioria dos produtores muito recente, logo “ainda é difícil percebermos ou compararmos como foi a colheita do ano passado e como poderá ser a deste ano”. Contudo, avançou que as plantações que têm mais tempo devem produzir fruto de melhor qualidade e em maior quantidade.
A questão da apanha e maturação é uma das principais preocupações dos produtores, pois se for para consumo em fresco “tem que ser apanhada num estado precoce de maturação para poder chegar ao cliente em condições de consumo”. No que diz respeito à conservação da fruta nas instalações e ao escoamento, o dirigente reconheceu que “ainda não há muita procura, como tal, temos que trabalhar na divulgação do produto a nível do consumidor final”.
O produtor salientou que quando se fala em figo da índia pensa-se apenas no fruto, mas é preciso explicar que toda a planta tem muitas potencialidades. “O aproveitamento começa nas palmas porque a própria palma serve para alimentação animal ou humana” e exemplificou: “no México, de onde esta planta é originária, é consumida como verdura numa sopa, um acompanhamento grelhado para ‘casar’ com um peixe. Por sua vez, no Brasil é utilizada para alimento dos animais”.
A palma tem ainda uma baba interior que é usada para diversos cosméticos, desde champô, gel de banho ou gel para o cabelo. Por outro lado, a flor serve para fazer uma infusão/chá para consumo humano enquanto as sementes servem para fazer óleo para a cosmética.
Quanto ao escoamento, o responsável lembrou que já houve algumas empresas, incluindo a Pepe Aromas, a trabalhar com hipermercados e a colocar o fruto nos supermercados a nível nacional onde tem havido uma boa aceitação.
Nelson Ventura adiantou que o figo da índia é um alimento do futuro, de acordo com a Food and Agriculture Organization (FAO), uma vez que a figueira da índia embora precise de água é uma planta que se adapta com facilidade a zonas áridas, onde muitas vezes a irrigação de outro tipo de culturas para alimentação das populações é complicada. “Deste modo, consideram que a figueira da índia não necessita de tanta água podendo ser um elemento de futuro para essas regiões e porque tem muitas potencialidades ao nível da saúde”, frisou.
O presidente da confraria concluiu que tem grande expetativas de que este fruto possa ser uma realidade em Portugal. “O figo da índia é tolerado por diabéticos e há relatos que afirmam que podem baixar mesmo os níveis da glicémia. Neste sentido, temos que continuar a divulga-lo até que este produto vingue no mercado em Portugal”.

Pepe Aromas dá exemplo de aposta em subprodutos

A convicção de que os produtores têm que diversificar e apostar nos subprodutos do figo da índia foi transversal a todos e reiterada por Susana Ferrão Mendes, proprietária da Pepe Aromas. “O figo da índia é uma fruta perecível e se não temos já um canal de escoamento muito afinado assim que a fruta é colhida no pomar, fica-se com a fruta a apodrecer nos armazéns”, explicou, adiantando que perante este cenário decidiram avançar para os subprodutos.A empresária contou que o ano passado colheram 20 toneladas e este ano quase que vão dobrar a produção, o que mostra que o mercado pode não estar preparado para absorver tudo isto. “Por isso, estrategicamente virámo-nos para a transformação para termos produtos com validade, nomeadamente para as geleias, os vinagres e o xarope que é um concentrado de fruta que serve como adoçante e que vamos lançar em 2019 e consolidar em 2020”, frisou.

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