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Diário do Sul participou em colóquio “Da Arqueologia ao Papel”

Jornalistas apelam os arqueólogos para uma comunicação clara dos achados

Como é que o jornalista desperta a atenção do púbico com uma notícia sobre arqueologia? Tem que ter mestria para dar a informação.

Maria Antónia Zacarias

21 Novembro 2018

Como? Contando como as pessoas viviam na época a que se refere o achado. Transmitindo de forma clara,
concreta e concisa a descoberta, após recolher todos os elementos veiculados pelo antropólogo que deve usar explicações facilmente decifráveis. Foram estes os assuntos abordados em mais um colóquio intitulado “Da Arqueologia ao Papel”, organizado pelo Laboratório de Arqueologia Pinho Monteiro e a Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora.
Conseguir que o antropólogo explique o que descobriu de forma percetível, abrindo o seu conhecimento à sociedade é um dos desafios com que o jornalista tem vindo a debater-se nas últimas décadas.
Os jornalistas convidados para participar nesta conferência foram unânimes relativamente ao facto de que é difícil explicar os achados arqueológicos. A forma mais adequada é perceber a história das pessoas que viveram naquele passado, dando a conhecer ao público como era a vida dos povos daquele tempo.
Um dos participantes, o jornalista Carlos Dias do jornal “Público” contou a sua experiência ao acompanhar as escavações aquando da construção da barragem de Alqueva. “Foi com as pessoas do campo que os arqueólogos souberam onde deviam escavar e aprenderam muito”, afirmou, alertando os alunos deste curso para nunca se
esquecerem das pessoas que vivem na terra “onde estão a escavar” porque podem ser verdadeiros aliados.
O jornalista lamentou que “a maioria dos autarcas veja o trabalho do arqueólogo como um estorvo, que atrasa os trabalhos e encarece o produto final”.
Também a jornalista do “Diário do Sul”, Maria Antónia Zacarias afirmou que “em Portugal, a maioria dos empreiteiros tenta esconder tudo o que é intervenção, escapando e declinando o acompanhamento arqueológico”. Em oposição, no Brasil, os construtores têm dez por cento da verba alocada à obra para divulgação dos achados arqueológicos.
A representante do único jornal diário abaixo do Tejo explicou a importância da valorização da memória das civilizações, considerando ser fundamental a educação para a arqueologia, considerando que existe ainda um longo caminho a fazer em Portugal. Uma ideia reiterada pelo jornalista do Correio da Manhã e da Correio da Manhã TV, José Carlos Castro que afirmou ter receio de que “esta conversa que estamos a ter agora sobre a educação para a arqueologia se mantenha daqui a 20 anos”. A seu ver, é preciso haver um maior conhecimento da sociedade e do público em geral sobre o nosso passado “para que possamos entender melhor o presente”.

“Arqueologia tem que ir ao encontro das comunidades”

O que há a mudar? A professora da Escola de Ciências Sociais, Leonor Rocha defendeu que a arqueologia tem que se abrir à sociedade. “Há cerca de duas décadas que tem vindo a perder visibilidade, tem tido escassez de meios o que tem contribuído para o alheamento das comunidades locais. A arqueologia tem vivido fechada sobre si mesma, mas isso tem que se alterar”, frisou.
Também Silvério Rocha e Cunha, diretor da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora reconheceu esta necessidade de mudança, atestando a importância da comunicação do que se encontra para o conhecimento das comunidades. Tentar sempre comunicar a arqueologia ao explicar o que está a fazer e porquê,
sensibilizar para o património pedindo que às pessoas que lhe contem histórias sobre a rua, como era, do que se lembravam e do que os seus pais e avós lhes tinham contado parece ser “a porta” para a arqueologia voltar ao tempo presente. Os arqueólogos estão despertos para a importância de trabalhar em parceria com as
comunidades na preservação do património. O exemplo disso é um centro interpretativo que vai nascer em Guadalupe, a poucos quilómetros de Évora, fundado por arqueólogos sobre o Cromeleque dos Almendres.
José Santos, representante da Turismo do Alentejo admitiu que tem que haver maior rigor na informação sobre arqueologia. “Por isso, estamos a contratar especialistas para integrar as rotas do megalitismo para que haja maior rigor científico e histórico”. E concluiu: “É importante que a história e a arqueologia ganhem maior relevância no turismo. Precisamos de arqueólogos ativos para a valorização da arqueologia”.

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