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Agrupamento de Escolas de Viana do Alentejo acolhe inovação social

Projeto permite a daltónicos identificar as cores através de um código universal

Chegar à escola com uma meia de cada cor ou simplesmente não conjugar a cor das calças com a da blusa podem ser fatores de bullying.

Maria Antónia Zacarias

20 Novembro 2018

Sensibilizar para a forma como os daltónicos veem o mundo foi o objetivo da ColorADD.Social que promove a integração social de pessoas com dificuldade na identificação de cores, particularmente portadoras de daltonismo, através da adoção do código universal. O projeto foi mostrado na passada sexta-feira pela primeira vez no distrito de Évora, no Agrupamento de Escolas de Viana do Alentejo e foi caracterizado pela ministra da Presidência e da Modernização Administrativa como um dos projetos bem-sucedidos.
A Madalena Godinho, de seis anos, e o Micael Figueira, de nove, foram dois dos alunos que viram o mundo dos daltónicos através de uns óculos que lhes modificavam a perceção das cores. Face ao problema tiveram que utilizar o código que é feito com símbolos e que está inscrito nos lápis de colorir. Madalena Godinho contou que teve que descobrir os números que estavam dentro de círculos coloridos. “O senhor disse que eu não sou daltónica e que vejo bem as cores”, afirmou. Também Micael Figueira, de nove anos e que frequenta o 4.º ano na Escola Básica e Secundária Dr. Isidoro de Sousa, sede do Agrupamento de Escolas de Viana do Alentejo, contou depois de estar com os óculos no rosto que “seria chato não ver as cores das coisas”.
A ação intitulada “Ver e Sentir as Cores” para a deteção precoce do daltonismo em crianças e jovens e a sensibilização da comunidade escolar e educativa integra o Programa “Color ADD nas Escolas” que foi apresentado em Viana do Alentejo. Este programa já está no distrito de Portalegre e noutras regiões do país, como explicou o “pai” do projeto.
Miguel Neiva explicou que a associação ColorADD.Social é apoiada pela iniciativa pública Portugal Inovação Social, utiliza o inovador código ColorADD, um alfabeto universal da cor que permite que os portadores de daltonismo possam relacionar os símbolos e identificar facilmente todas as cores. “Quando lhes explicámos, ensinámos o código e lhes dissemos que tinha sido inventado por um português, a pergunta: ‘Ele já morreu há muito tempo?’ surgiu de imediato” (risos), contou, realçando que os alunos foram muito rápidos a aprender.
O presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Bernardino Bengalinha Pinto sublinhou que o município preocupa-se com os aspetos sociais. “Logo, quisemos estar na primeira linha neste distrito deste projeto de integração social. Temos trabalhado no sentido de melhorar a qualidade de vida dos munícipes e assim queremos continuar, desenvolvendo ações no âmbito da nossa política de responsabilidade social”.

Projeto visa melhorar a qualidade de vida das pessoas

A ação contou com a presença da ministra da Presidência e da Modernização Administrativa que considerou o ColorADD como um exemplo de sucesso dos projetos na área da inovação social. A governante salientou que estas iniciativas só fazem sentido se servirem para melhorar a qualidade de vida das pessoas, “quer seja das mais idosas, quer seja das pequenas como foi o caso”.
Maria Manuel Leitão afirmou que “é preciso detetar uma pequena deficiência porque se não for atalhada a tempo pode traduzir-se numa deficiência maior, numa exclusão na escola, numa menor consideração seja pelos colegas, seja pelos professores, levando a que aquela criança tenha dificuldades de integração na sua comunidade escolar”.

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