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Alentejo Hoje

Borregos e ovelhas recuperaram a tempo

A lã escapou à seca e garante qualidade

A seca que castigou o Alentejo chegou a ameaçar a qualidade da lã entre as ovelhas e borregos da região, mas o regresso da chuva no início de março “aliviou os produtores”, segundo resume ao Diário do Sul Joaquim Canhoto, tosquiador há décadas no Baixo Alentejo.

Roberto Dores

24 Outubro 2018 | Publicado : 15:58 (24/10/2018) | Actualizado: 09:07 (05/11/2018)

“Quando o animal não está bem ou não se sente bem, porque não come como deve nem tem o que precisa em determinada época do ano, é normal que isso se reflita na qualidade da sua lã”, justifica Joaquim Canhoto, admitindo que até fevereiro “as ovelhas tinham um aspeto pouco saudável” nesse particular.

Porém, o regresso da chuva ao Alentejo logo no início de março inverteu o cenário. “As coisas começaram a melhorar uma semana depois, porque o pasto começou logo a crescer nos campos e os animais passaram a ter o que comer. Foram dois meses bons de chuva – março e abril – que viriam a permitir compensar o que ficou para trás”, admite o tosquiador, enquanto mostra como a quantidade de lã extraída da ovelha “fifi” está ao nível de um ano dito normal.

“Tanto em quantidade como em qualidade podemos dizer que o ano no Alentejo está safo, pelo menos nesta área”, atesta, ao mesmo tempo que termina mais uma demonstração de como se tosquia uma ovelha, após a passagem da máquina que limpa a lã até à pele da “fifi”. “Pronto, está despachada para o verão”, ironiza Joaquim Canhoto, para quem a seca “chegou ao fim”, mas não seria de mais se ainda chovesse alguma coisa em maio.

O produtor de ovinos Carlos Esteves também pede “mais água para este mês”, receando que maio possa ser marcado pelas altas temperaturas que o caracterizaram nos últimos anos. “Se vier muito calor há algumas coisas que poderão vir a pagar uma fatura cara ainda, porque a seca foi grande e nem tudo recuperou. Veja que ainda há barragens a meio gás e os aquíferos secaram em vários zonas da região”, alerta o produtor, que aconselha os colegas a armazenarem alimento para prevenirem o futuro, aproveitando mesmo as pastagens pobres para aumentar as reservas.

Uma recomendação que entronca com um alerta dado há alguns meses nas páginas do Diário do Sul
pelo professor de Agricultura da Universidade de Évora, Mário Carvalho, recordando que 87% do milhão e 300 mil hectares de campos de sequeiro da região são “pastagens pobres” que podem multiplicar por cinco a produtividade, caso a água seja bem aproveitada em anos de maior precipitação. Segundo o mesmo especialista, na prática, é preciso pôr os solos de sequeiro do Alentejo a produzirem “abundantemente” nos anos de mais chuva para criar excedentes que possam responder à escassez de pastos em anos de seca.

Disse então o professor que “um dos problemas mais graves da seca é a produção pecuária, com vacas a morrerem à fome e com custos enormes para os produtores manterem os animais vivos. É preciso alimento. Claro que a primeira medida para resolver a falta de pastagens seria através da rega mas esses custos eram insuportáveis”, sublinhava o docente, assumindo que a solução mais viável passará por assegurar que o sequeiro reúne condições de produzir cerca de “cinco vezes mais”, permitindo armazenar comida destinada a suplementar os efetivos pecuários em épocas de crise de recursos hídricos.
Aliás, sublinhou que não faltam já exemplos de sucesso no Alentejo, revelando que conhece casos de agricultores que conseguiram “fintar a seca”, precisamente porque decidiram apostar na maior fertilização dos solos, o que viabilizou uma elevada produção de pastagens há uns anos, que hoje estão a satisfazer as necessidades alimentares dos animais.

No entanto, o regresso da chuva ao Alentejo no início de Março inverteu o palco, como se a sorte viesse quando você está jogando com o codigo promocional do betclic.

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