Alentejo Hoje

Calor regressa esta semana

O tempo anda esquisito no Alentejo mas pode ser oportunidade de negócio

Afinal, que temperaturas atípicas são estas que estão a marcar o verão alentejano de 2018? O calor volta esta semana a tocar os 35 graus na região, segundo aponta o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, regressando as temperaturas normais para a época.

Roberto Dores

29 Agosto 2018 | Publicado : 16:02 (29/08/2018) | Actualizado: 16:03 (29/08/2018)

Mas para trás este verão deixa um surpreendente julho, quase primaveril, que foi o mais fresco dos últimos 30 anos, em contraponto com a vaga de calor que castigou os três distritos do Alentejo no início do mês, deixando volumosos prejuízos nos campos agrícolas.
Comecemos por julho, onde se registaram temperaturas com variações de menos quatro graus Celsius face aos valores ditos normais nos últimos 30 anos. A responsabilidade foi do anticiclone dos Açores, que durante semanas esteve mais deslocado para oeste em relação ao normal para esta época do ano.
O especialista em alterações climáticas, que também é presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, Filipe Duarte Santos, aponta ao que designa de "variabilidade climática", alertando que a região, como acontece na maioria do país, chegou a um ponto em que "já não se reconhecem as quatro estações do ano como acontecia há algum tempo".
Ou seja, explica o especialista, as quatro estações tinham associadas a si a questão da temperatura e da chuva. Aos dias de hoje já não é novidade que a temperatura está a subir, levando ao "aumento das alterações climáticas e da variabilidade do clima num determinado sítio", insiste. Quer isto dizer que até há alguns anos as temperaturas não registavam variações tão acentuadas como atualmente, o mesmo acontecendo com a precipitação, assinalando Filipe Duarte Santos que o ciclo de secas extremas e severas - que se têm feito sentir com impacto, sobretudo, no Alentejo, também ajudam a explicar o fenómeno.
"As alterações climáticas vão desafiar também os alentejanos a arranjarem soluções para combaterem a, cada vez mais, frequente escassez de chuva, com consequentes aumentos dos períodos de seca", sublinha, alertando que o risco de incêndio também vai ser agravado. "É  inevitável", diz o físico, chamando ainda a atenção para o facto de, além do Interior da região ir ser afetado, também o Litoral Alentejano sentirá as consequências. Justifica que "a subida do nível do mar é inexorável."
Ainda assim, o especialista diz que não é caso para alarmismos exacerbados, defendendo que os estudos realizados nos últimos tempos deram uma ferramenta de trabalho para evitar surpresas no futuro. "É necessário fazer uma adaptação a novas situações para que se consiga, por exemplo, garantir água na região", sublinha, alertando que o setor agrícola deverá estar aberto a novas oportunidades lançadas pelo novo clima para a produção hortícola.
Isto é, explica o professor, "com clima mais quente aumentam as condições para produzir produtos destes quase todo o ano e isso é uma vantagem assinalável para a economia", resume o especialista.

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