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Alentejo Hoje

Falta pouco tempo para a entrada solene do arcebispo eleito de Évora

D. Francisco Senra Coelho assume a continuidade da evangelização

A poucos dias da entrada solene do arcebispo eleito de Évora, D. Francisco Senra Coelho, o nomeado pelo Papa Francisco afirma que a evangelização continua a ser a grande missão da Igreja Católica.

Maria Antónia Zacarias

27 Agosto 2018

De regresso a casa, após quatro anos como bispo auxiliar de Braga, D. Francisco Senra Coelho considera o Alentejo como uma terra missionária que é o espelho do que se passa atualmente na religião. A seu ver, é preciso fomentar uma Igreja de proximidade, que conheça as pessoas, que vá ao encontro delas, que tenha mobilidade para ir em direção ao próximo, salientando que não há igreja sem famílias cristãs. Daí assumir como missão enquanto Arcebispo de Évora a evangelização assente na humanização e na amizade que são capazes de gerar a partilha do tesouro que é a fé.
Nasceu em Moçambique, viveu em Braga, em Évora, voltou para Braga e agora está de regresso a Évora. D. Francisco Senra Coelho lembra que a sua história de vida tem um percurso enriquecedor. “Tenho a alegria de fazer aquilo que gosto. Sempre quis ser padre e pároco. Nunca senti um apelo para uma congregação religiosa, para uma dimensão monástica ou contemplativa. Gostava de ir para uma terra onde fazia falta”, conta.
Quando regressou de Moçambique foi viver para Braga, “mas lá estava tudo feito. Era um mundo deslumbrante e comecei a querer voltar para Moçambique e ser missionário com paróquia, celebrar missas, batizar as crianças, dar catequese”. Em vez de regressar à terra que o viu nascer veio para Évora porque “em Portugal há também terras missionárias e lá vim eu para o Alentejo em 1980. No dia 14 de abril em
2014 fui confrontado com o convite para ser bispo auxiliar de Braga e voltei a Braga durante quatro anos. Agora, peço a Deus que tenha sempre a noção de que sou dele e apenas digo: ‘Eis-me aqui!’”.
O novo Arcebispo de Évora afirma que a Igreja tem o tamanho do mundo e foi ela que voltou a indicar este sítio para servir todos os católicos. No entanto, confessa que este é um grande desafio “para o qual nos sentimentos sempre impreparados, em que nos sentimos sempre com receio de não correspondermos àquilo que Jesus espera de nós e que o povo de Deus também espera de nós”. Diz acreditar que “o Senhor vem comigo e que pela sua mão farei com Ele e Ele fará comigo aquilo que for o projeto para esta Igreja nesta Arquidiocese”. D. Francisco
Senra Coelho considera que “Évora é uma igreja missionária e com muita experiência na formação dos leigos”. Relembra que em Évora, e Igreja é muito antiga e como tal tem uma grande antiguidade nos bispos de Évora. “A Arquidiocese de Évora tem na história da Igreja em Portugal uma peleia de arcebispos de grande importância, quer na renovação, quer no pastoreio, na capacidade intelectual, quer no mecenato, bem como na dimensão patrimonial”.
Agora, admite que é desafiado a continuar todo o trabalho que foi feito pelos seus antecessores. “Não venho fazer nada de novo, venho assumir este trabalho e continuá- lo, tenha eu a capacidade de escutar o Espírito Santo e contribuir para a pegada laical”.
O novo representante da Arquidiocese de Évora chama a atenção para o facto de que “onde a igreja está em maior crescimento é onde há menos padres, o que nos permite perceber que há que fazer crescer o número de famílias cristãs. Não há igreja sem famílias cristãs porque estas são uma riqueza. Daí acreditar e defender a pastoral da família e ser Igreja de todos os cristãos”.

Transmissão da fé às novas gerações é um dos grandes desafios
D. Francisco Senra Coelho aponta que a maior dificuldade que a Igreja Europeia tem é a transmissão da fé às novas gerações. E justifica: “Não temos tido grande sucesso, temos uma catequese proposta em dez anos, conseguimos levar muitas crianças até à primeira comunhão, menos à profissão de fé e menos ainda ao crisma. Isto é, a fidelização à comunidade ainda é muito difícil porque ainda não conseguimos descobrir o amor de Deus. Esta experiência de Deus não tem sido profunda”.
Continua a haver necessidade de transmissão dos ideais católicos às novas gerações. É este um dos grandes desafios que o futuro arcebispo de Évora assume. No entanto, indica mais como a vontade de aproximar a Igreja das vivências humanas. “Uma igreja
próxima é uma igreja atenta. Os idosos sós nos montes são uma realidade que me perturba muito e que nos deve fazer pensar. Não deveria ser a paróquia a ter a responsabilidade de ver se a tia Maria está viva?”, questiona.
No entender de D. Francisco Senra Coelho, a Igreja deve apostar, cada vez mais, na mobilidade, indo visitar os mais isolados e sós. “Não deve ser apenas à GNR que cabe essas funções”, evidenciando que a evangelização começa pela humanização, pela
amizade e depois é capaz de gerar a partilha do tesouro que é a fé. Aplicar esta gramática da evangelização e colocar em prática o programa pastoral escolhido para 2018/2019 – espírito missionário – é a grande vontade do novo dirigente da Arquidiocese de Évora.

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