Alentejo Hoje

ALENTEJO: OS COMBOIOS DO DESAGRADO

NA LINHA DO DESESPERO

De Lisboa a Évora circulam desde o início do Verão, comboios regionais ao invés dos intercidades. Os problemas? São diversos, a começar pelo preço do bilhete que as pessoas pagam (que é o equivalente ao dos intercidades). Mas se acha que esta situação é má, o que vai ler a seguir é pior ainda.

Leonor Centeno

27 Agosto 2018

As más condições já existiam assim como os problemas, contudo o nascimento da polémica em torno deste assunto deu-se no dia 3 de Agosto. Quando as temperaturas rondavam os 40 graus, um comboio avariou na estação de Casa Branca, em Beja. Tal situação obrigou maioria dos passageiros a percorrer quatro quilómetros a pé até chegar à estação de Vila Nova de Baronia, deixando-os sujeitos ao calor extremo e consequentemente a serem assistidos pelos bombeiros e pela GNR. Dito desta forma nem parece tão grave, mas vou pedir ao leitor que se ponha na pele e entre nesta viagem infernal. Imagine-se que tem de estar em casa às horas que tinha programado quando comprou o bilhete. Na rua enquanto espera, o calor é tão abrasador que custa a respirar e para piorar a situação o comboio está atrasado. Quando finalmente a automotora chega, entra para o interior e percebe que os 40 graus no exterior são mais suportáveis que a sauna que está lá dentro. Não há janela aberta que areje ou refresque as horas que tem pela frente. Quando achava que já nada podia piorar, eis
que a situação agrava-se. Agora dá por si parado no meio do nada, 20 minutos depois do comboio ter iniciado a sua marcha. Foi este o drama vivido por muitas pessoas que se encontravam naquele dia dentro deste transporte. Crianças e idosos permaneceram no interior, sem água ou comida, sem informações ou esclarecimentos acerca do que estava a acontecer. Este episódio foi o momento que precipitou incomodo por parte das pessoas que viveram momentos de desconforto e mal estar por um serviço que tinham pago. Desde então houve uma onda de condenações e criticas como grito de revolta à CP e ao Governo. Só nestes meses de Julho e Agosto as reclamações à CP tiveram um crescimento de 83% face ao igual período do ano anterior. As queixas andam em roda dos atrasos, má higiene, más condições no que toca à falta de ar condicionado e consecutivas supressões de comboios. Ao todo foram 277 queixas e só nas primeiras duas semanas de Agosto foram registadas 45 reclamações (no “Portal da Queixa”). O que muitos passageiros desconhecem, são os seus direitos e a possibilidade de pedirem indemnizações à CP. De acordo com a jurista da Deco Tânia Neves, se a empresa prestasse essa informação aos utentes o número de reembolsos seria muito mais elevado.

Vejamos então os seus direitos:

Tem direito a indemnização do preço do bilhete em caso de atraso durante a viagem (antes ou depois da partida).
- 25% para atrasos de 60 e 119 minutos
-50% nos atrasou iguais ou superiores a 120 minutos.

Tem ainda direito a indemnização por outros danos, que terá de comprovar, e que resultem da supressão de serviços regionais superiores a 50 km ou de serviços de longo curso. Normalmente corresponde a 100 vezes o valor do preço pago pelo título do transporte. (O limite máximo é 250 euros).

Na supressão temporária de serviços, em todo ou em parte do percurso, a CP é obrigada, a fazer seguir o passageiro e a sua bagagem por outro comboio que sirva a sua estação de destino. Caso não seja possível, a CP deve disponibilizar ao passageiro, sem qualquer acréscimo de preço, outros modos de transporte que lhe permitam completar a viagem.

Se a entrega de bagagem, automóveis e outros materiais vier com atraso, saiba que também tem direito a indeminizar.

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