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Visita a duas unidades hoteleiras e a uma casa do povo recuperada

Secretário de Estado do Emprego conheceu casos de sucesso no distrito de Portalegre

Numa visita oficial ao concelho de Portalegre, realizada no passado sábado, o secretário de Estado do Emprego, Octávio Oliveira, e o presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), Jorge Gaspar, ficaram a conhecer alguns casos de sucesso para combater o desemprego e a desertificação neste território. Acompanhados pelo delegado regional do Alentejo do IEFP, José Palma Rita, bem como por outras individualidades da região

Marina Pardal

23 Abril 2015 | Fuente: Redação D.S.

Seguiram depois para o Turismo Rural Casa da Urra, tendo sido neste espaço que decorreu o almoço, preparado pela unidade de enoturismo e servido pelos formandos do IEFP. Para além da visita ao museu com colecções do proprietário, houve ainda um momento musical com Los Romeros.

No decorrer da iniciativa, foi visitado um atelier de artesanato de João Barradas, seguindo-se depois a cerimónia de reabertura da Casa do Povo da Urra à comunidade local, recuperada no âmbito do programa Património Activo. A música marcou presença com a Banda Euterpe e houve também uma recriação histórica de actividades tradicionais.

Relativamente ao programa Património Activo, José Palma Rita, salientou que “tivemos este programa em 2013 e em 2014, que foi uma medida criada de propósito para dar resposta aos desempregados da construção civil e reconvertê-los para outras áreas, embora associadas à construção civil”.

Explicou ainda que “desenvolvemos um conjunto de candidaturas em parceria com misericórdias, autarquias e entidades sem fins lucrativos para que os desempregados oriundos da construção civil, e que tivessem alguma experiência de trabalho de recuperação de património edificado, pudessem dar um contributo na recuperação de bens públicos”.

No que diz respeito à Casa do Povo da Urra, o delegado regional do IEFP considerou que “este foi um dos casos de maior sucesso no Norte Alentejano, embora existam outros exemplos”, realçando que “com um projecto da Junta de Freguesia da Urra (JFU) conseguimos que 14 desempregados oriundos da construção civil recuperassem esse edifício e agora devolvê-lo à população”.

A esse respeito, evidenciou que “por um lado, foi importante pela recuperação do património colectivo, mas também porque estas pessoas foram objecto de formação profissional”.

De acordo com Palma Rita, “ao mesmo tempo, aproveitámos para visitarmos um projecto de turismo rural, associado a um vinho, que tem condições para atrair turistas para o Alto Alentejo, que é a Casa da Urra”.

O mesmo responsável frisou que “foi visitado um outro hotel recente, o Monte Filipe, que está a trabalhar connosco na formação profissional e no âmbito dos estágios e da integração dos jovens com formação feita por nós, bem como no âmbito da contratação de pessoas que estavam desempregadas”, destacando que “esta é mais uma iniciativa da criação de emprego no interior do país”.

Importância do investimento na região foi destacado

Em declarações aos jornalistas, o secretário de Estado do Emprego, recordou que “felizmente, o desemprego baixou nos últimos tempos”, focando que “o desemprego no distrito de Portalegre, em Março de 2015, era na ordem das seis mil pessoas, quando há um ano atrás rondava as sete mil e há dois anos atrás situava-se em cerca de oito mil”.

Segundo Octávio Oliveira, “isto significa que a tendência que tem existido nos últimos dois anos é de uma diminuição no desemprego, o que não significa que o Governo não continue preocupado com o elevado nível do desemprego e a procurar encontrar soluções e apoios para os actores que estão no território”.

O governante frisou que “há um conjunto de medidas que estão orientadas para a globalidade da economia, neste caso, privilegiando a área do emprego, no sentido de estimular as empresas a criarem postos de trabalho, através do estímulo ao emprego ou de medidas activas do mercado de trabalho, como os estágios profissionais”.

Acrescentou ainda que “com a concretização desses apoios e desses investimentos, esperamos que estas terras que hoje estão avaliadas como territórios de baixa densidade tenham mais oportunidades, para que se possam fixar mais pessoas nestes territórios”.

Durante esta visita, o secretário de Estado do Emprego salientou também que “estamos a trabalhar no sentido de a muito curto prazo poder existir uma medida especificamente orientada para o sector das artes e ofícios e do artesanato, que de alguma forma privilegie a formação e a criação de postos de trabalhos nestas áreas, fomentando o empreendedorismo”.

Uma das entidades que também marcou presença nesta comitiva foi a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), representada por um dos seus vice-presidentes, Roberto Grilo. “Não estivemos aqui a analisar nenhum projecto em concreto, mas sim a aferir aquilo que é o resultado de alguns projectos anteriores”, referiu, adiantando que “também estivemos a ver, em termos de redes, aquilo que qualifica o território e que podem vir a ser contributos para a nossa Estratégia Regional de Especialização Inteligente”.

Em relação às unidades relacionadas com o turismo, Roberto Grilo constatou que “potenciam e qualificam o território, que é de baixa densidade, criando assim mais-valias para a região”.

Por sua vez, Armando Varela, presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), referindo-se à reabertura da Casa do Povo da Urra, destacou que “todos os projectos que podem assentar na recuperação do património edificado são muitos importantes, pois muitas vezes perdemos muito tempo a pensar naquilo que não temos e não valorizamos aquilo que temos”.

Na sua perspectiva, “estes projectos de base local, que tiraram partido das pessoas que estavam desocupadas e lhes criaram uma ocupação durante pelo menos um ano, mostraram quão grande é a capacidade destes desempregados hoje, mas que infelizmente o mercado de trabalho tarda em recuperar”.

Armando Varela disse ainda que “estas medidas são positivas e espero que outros exemplos como este se possam replicar pelo Alentejo e por Portugal, para que se traduzam de forma sustentada numa redução dos níveis de desemprego no nosso país”.

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