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FESTIVAL DE TEATRO DE MÉRIDA

Jesús Cimarro: "Enfrento esta nova etapa, como sempre, com vontade de trabalhar, de faze-lo bem e desejo que a programação seja do interesse do público.”

Paloma San Basilio, na abertura, Estrella Morente, Aida Gómez e Antonio Canales, no novo trabalho de Miguel Narros, também o violinista Ara Malikian, são algumas pinceladas da 62ª edição do Festival de Mérida, o quinto dirigido por Jesús Cimarro mas, como reconheceu, "começando uma nova etapa" e, salienta que "chegar até aqui não foi fácil".

21 Abril 2016 | Publicado : 18:43 (14/04/2016) | Actualizado: 12:18 (21/04/2016)

Jesús Cimarro e a sua empresa Pentación Espectáculos, com uma equipa de profissionais extremenhos, voltam a tomar o pulso do Festival de Mérida; numa conversa com Regiondigital.com, do consórcio media ibéricos – Alentejohoje.com - quando acaba de apresentar a programação para este ano, explica-nos como encara esta nova etapa, este novo percurso que trazendo a Mérida 8 novos espectáculos, 7 deles estreias, voltando a contar com companhias extremenhas que, encerram o que já é o encontro obrigatório de Verão do País e que nesta ocasião também olha para o país vizinho "Portugal é uma assinatura pendente do Festival, já houve esforços, no entanto, este ano já o tomámos a sério e vamos fazer uma apresentação em Évora, no mês de Maio, que vai marcar o antes e o depois”.

Em relação à programação, Cimarro destaca que "tentámos fazer uma programação diferente, com novos títulos que nunca se representam em Mérida, com actores que nunca estiveram em Mérida, com directores que nunca trabalharam em Mérida, em concreto, tentámos fazer um festival diferente, que também foi o que tentámos fazer nas edições anteriores”.

Além disso, indica que, "na 61ª Edição, vieram imensas estrelas, nesta também virão, diferentes, impusemos títulos como Alexandre Magno, Marco Aurélio, Aquiles,... que nunca se representaram em Mérida e, estou esperançoso que interesse o público, não vai haver Medeia, nem Antígona, nem Édipo e foi de propósito, porque isso já se fez...."..."conseguimos que a Mérida venha público variado, diverso, que continue a vir"...."o trabalho deste ano foi feito para o agradar ao público mas, essa incógnita só a descartamos quando acabe o Festival”...."o público é soberano, ele decidirá se a aposta foi boa”.

Sobre a sua aposta neste Festival, realça que "fez-se um esforço muito grande e, esperemos que esse esforço e essa aposta que faz a empresa Pentacións seja recompensada, até agora, tive um orçamento de 1.050.000 euros, este ano subiu para 1.450.000 euros", o Festival de Mérida, como nas anteriores edições, não vai ter déficit e, se houver déficit eu assumo-o, se há lucro, 95% vai para os cofres do Patronato do Festival, penso que a cidadania e, o Consórcio saem beneficiados com esta nova decisão, estas são as novas regras do jogo e eu assumo-as”.

Cimarro tambén realça que "podia ter deixado o Festival na edição anterior, após ter triplicado o número de espectadores, em impactos mediáticos, colocando o Festival no 11º lugar de evento cultural mais importante de Espanha, posso assim dize-lo, já estava tudo conseguido praticamente...mas acredito que este trabalho feito por uma grande equipa, não podia perder esta orientação, há um período que é necessário acabar, há um período para completar, e acredito que nas próximas duas edições, que o deixaremos mais coeso e estabelecido”.

Como encaras esta nova edicão, nesta nova etapa?

J.C.: Chegar aqui não foi fácil, como todos sabem, porque quando se ganha um concurso numa licitação, neste caso o Festival de Mérida, ninguém sabe com como vai decorrer, e como ninguém sabe, é uma incógnita. Claro que isto me provocou alguma ansiedade, uma certa inquietude no momento, no entanto a decisão estava tomada e como costumo dizer: quando no atiramos para uma piscina, haja água ou não, já está lá dentro e eu estou lá dentro. E começamos uma nova etapa, com um novo Governo, que já estava na edição anterior, este programa que agora apresentamos é o programa deste Governo. Ou seja, é agora que a Secretaria da Cultura assume com o presidente da Junta, Guillermo Fernández Vara, sendo ele o conselheiro da Cultura, esta nova etapa. Portanto, enfrento esta nova etapa como sempre, com vontade de trabalhar e de o fazer bem, é este o meu lema de sempre desejando que a programação que apresentamos seja do agrado do público.

Uma das diferenças em relação à edição anterior, independentemente do que já falámos, estamos com um mês de atraso e as datas são importantes para um festival com estas características. Pensas que se vai notar, que vai deixar marca?

J.C.: Claro, perdemos um mês! O que é mau. Eu não sou de paninhos quentes. Mas acredito que a programação que apresentamos é muito interessante, muito variada, muito eclética e para todos os públicos. Vai haver teatro, música, dança, flamenco… ou seja, uma programação que é o conceito que tenho de festival, até ao momento. Claro que há outros conceitos de festivais, mas o conceito que se deu ao Festival de Mérida, foi com o que acertamos, porque senão o público rejeitava-o. Esta programação que apresentamos, espero que atraia o público para que não se note o mês que perdemos. Sabê-lo-emos em breve.

Estrella Morente, Armando del Río, Verónica Forqué, Antonio Canales, Paloma San Basilio,… nomes que parecem garantir o objetivo que te propunhas para este ano – mesmo com os inconvenientes que sofridos -: o de manter a qualidade e o nível das edições anteriores do Festival Acreditas que vai ser assim?

J.C.: O público o dirá. Nós fizemos tudo para que assim seja. Tentamos apresentar uma programação diferente, com novos títulos que nunca se representaram em Mérida, com actores que nunca trabalharam em Mérida, com directores que nunca trabalharam em Mérida. Definitivamente, quisemos fazer um festival diferente, que foi o que fizemos nas edições anteriores. Na 61ª edição vieram muitas estrelas e nesta também e diferentes… Apresentámos títulos como Alexandre Magno, Marco Aurélio, Os Filhos de Vulcão, Aquiles…, que nunca representaram em Mérida. Espero que isso faça o público vir assistir. Não há nenhuma Medeia, nem Antígona, não há Édipos porque isso já se fez. Ou seja, estamos a apresentar uma programação diferente, dentro do percurso que tem a temática greco-latina e greco-romana. Acredito que conseguimos que escritores contemporâneos e actuais escrevam sobre essa época.

Na edição passada, ‘La asamblea de mujeres’ foi a obra que conseguiu mais êxito do público; o ano anterior foi ‘El eunuco’. Qual será a peça deste ano que mais irá interagir com o público ou que seja referência nesta edição?

J.C.: Bom, eu espero que todas e já te responderei a esta pergunta quando terminar o Festival, porque apenas agora começamos e apenas desde quarta-feira, dia 13 de Abril, que estão à venda as entradas. Não possa adiantar mais nada. Espero que todos os espectáculos tenham impacto e que cada tema atraia um público diferente. Ou seja, o público não é o mesmo para Paloma San Basilio, que o público de Toni Cantó ou o público de Estrella Morente ou o de Verónica Forqué. Então, esperemos que o público, que és bastante amplo, venha. E que em sorte consigamos em Mérida um público amplo, diverso e muito variado.

Todos os nomes que puseram em cima da mesa, durante a apresentação, sejam o reflexo de uma qualidade excepcional, mas, é verdade, e há que ser realista, que o orçamento este ano está muito limitado. Aqui, tiveram que fazer uma espécie de engenharia para o conseguir. Como conseguiste?

J.C.: Claro, fiz um esforço muito grande. E espero que esse esforço e essa aposta que fazem a empresa Pentación sejam recompensados, porque até agora eu tive um milhão e cinquenta mil euros, no entanto, este ano tive um milhão e quatrocentos e cinquenta mil euros. O Festival de Mérida, como nas outras edições, não vai ter déficit, porque se tiver déficit sou eu que o assumo, e se tiver lucro, 95% desse lucro vai directamente para os cofres do Patronato do Festival de Mérida. Acredito que a cidadania e o Consórcio, beneficiam e vão beneficiar com uma nova regra. Estas são as nova regras do jogo, e eu assumo-as.

Isto de fazer “mais com menos”, outra coisa que estão a fazer nesta nova edição é olhar para Portugal, que é outro dos objetivos que se estabeleceram desde o Governo da Extremadura. Acredita que é bom atrair o público luso, que essa conexão pode dar resultados?

J.C.: Uma das premissas que estabeleci para o Festival foi atrair público de Mérida, público extremenho e espanhol. E depois público dos países contíguos. Creio que Portugal é uma assinatura pendente do Festival. Já se tentou em anos anteriores, mas creio que este ano tomámos isso muito a sério. Assim, em Maio, vamos apresentar o Festival em Évora e isso vai marcar um antes e um depois no evento. Há grupos de comunicação que nos estão a ajudar e nos estão a apoiar para que haja uma espécie de desembarque ali e que possamos trabalhar e que o público luso possa ter acesso à programação.

O que Jesús Cimarro e Pentación conseguiram com o Festival em números, ou seja, em espectadores, passar de 53.000 – quando se chegou- a mais de 150.000 em 2015, parece um alto patamar. Como irá ser esta edição?

J.C.: Pois não sei, porque como começamos um mês mais tarde na venda de entradas e sempre que apresentas tantas estreias, porque dos oito espectáculos sete são estreias, tudo é uma incógnita. Espero que o trabalho deste último ano tenha sido ‘em prol’ do público, que lhe agrade. Mas essa incógnita não a deixaremos até que acabe o Festival e eu possa dizer ‘gostaram – não gostaram, interessou - não interessou, acertei e enganei-me’. Isso é muito difícil, temos feito apostas para acertar outra coisa é o que diz o público. E o público é soberano, sempre digo isto, o público é que decide se gosta ou não.

¿O que representa para Jesús Cimarro o Festival de Mérida?, porque está claro que há um cunho pessoal neste projecto.

J.C.: Claro que sim, há um cunho pessoal, porque eu podia ter deixado o Festival na edição anterior e deixar-me ficar ali depois de ter passado de 53.000 a 158.000 espectadores, triplicando assim o número de espectadores, o número de impactos mediáticos… Despois de ter colocado o Festival no 11º lugar de evento cultural mais importante de Espanha. Por assim dizer, já estava praticamente tudo conseguido. Mas acredito que este trabalho que esta grande equipa fez, não se podia deixar à deriva, tinha de seguir esta mesma orientação. Há um ciclo para completar, creio que nesta duas próximas edições o deixaremos mais assente, mais estabelecido e com um compromisso para que os políticos, nesta caso a Junta o tenha muito claro –e isso é importante- o progresso deste Festival. E sobretudo que o público apoie cem por cento o que se faz no Festival. Sendo um público crítico e que elege o que quere ver.

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