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Alentejo Hoje

Autarca de Reguengos de Monsaraz assume presidência da RECEVIN

José Calixto já tem planos para três anos. “Desenvolver enoturismo e rotas europeias”

José Calixto, presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, foi eleito presidente da Rede Europeia de Cidades do Vinho (RECEVIN), sucedendo ao italiano Pietro Iadanza, e pretende estabelecer uma estrutura de acesso aos fundos comunitários, constituir as rotas do vinho da Europa e trabalhar o enoturismo com todos os parceiros europeus.

Roberto Dores

06 Abril 2016 | Fuente: Redacção D.S.

A candidatura do autarca alentejano foi apresentada pela Associação de Municípios Portugueses do Vinho, tendo o mandato uma duração de três anos. A RECEVIN tem o apoio das associações nacionais de cidades do vinho que existem na maioria dos 10 países membros da rede (Alemanha, Áustria, Bulgária, Eslovénia, Espanha, França, Grécia, Hungria, Itália, Portugal e Sérvia), que se traduzem na força de 800 cidades de toda a Europa.

Que importância atribui a este cargo para o qual acaba de ser eleito?
Esta rede tem um percurso com alguns anos e tem hoje a representação de 800 cidades e territórios vinhateiros. Isso é algo muito importante no contexto europeu.

E em que medida o território do Alentejo pode retirar partido desta eleição?
Obviamente que desempenhar um cargo de presidência nesta rede centra também as atenções nos nosso próprio território, nos vinhos de Portugal e nos vinhos do Alentejo, numa grande associação de municípios que tem feito um trabalho extraordinário. Refiro aqui o presidente da direção, o colega Pedro Ribeiro, presidente da câmara do Cartaxo e o secretário-geral José Arruda, que têm preparado todo este percurso dos municípios portugueses do vinho, que culminou com a assunção de Portugal na presidência através da indicação do meu nome. Tem sido um trabalho diplomático muito significativo.

O que pode potenciar agora?
Pode permitir desenvolver um conjunto de projetos que a rede tem que levar a cabo e centrar a decisão sobre as matérias desse setor e sobre as matérias que têm a ver com os municípios e com a promoção que os municípios sabem fazer dos seus territórios.
Porque há aqui uma dimensão internacional que acaba de ser reforçada…
A nossa região vinícola é Reguengos, o Alentejo e representamos estes vinhos. Isso é falado em todos os fóruns onde estamos e, por essa via, tem um interesse muito grande, porque onde quer que nós estejamos, estamos com o presidente de uma rede europeia, levando a que a nossa origem seja sempre falada. Mas também interessa que a RECEVIN faça com que no futuro essa rede tenha ainda uma maior notoriedade para que o valor deste cargo possa ser traduzido em projetos concretos.

Por exemplo?
Falo de projetos que unifiquem estes territórios dos países da Europa e que possam, no Parlamento Europeu e nos órgãos da União Europeia, dar notoriedade à Rede de Cidades Europeias do Vinho, dando assim notoriedade aos seus territórios. São projetos que agora temos que implementar para dar conteúdo ao desempenho de um cargo que é importante. Mas muitas vezes só nos apercebemos da sua real importância quando ouvimos os outros falarem dele, como aconteceu nestes dias na região de Veneza.
Ou seja, terá pela frente um mandato de três anos em que terá de prestar muita atenção a Bruxelas.
É em Bruxelas que está o centro de decisão da Europa e daí não podemos fugir. É possível controlar e executar o cargo de presidente da rede a partir dos territórios em que cada um de nós está, mas as grandes decisões, sobre os projetos que consideramos prioritários em termos da decisão coletiva da rede, passam por Bruxelas.

E já estão definidas as principais apostas?
Aquilo que iremos tentar fazer é centrar muito da nossa atividade ao nível do desenvolvimento de projetos, para que sejam candidatos diretamente a instituições comunitárias supranacionais. Estou a pensar na área do enoturismo, na área das rotas europeias do vinho ou na área do consumo com moderação, para desfazer o mito de que o vinho é um produto alcoólico dos países do Sul da Europa, que não pensam na sua própria saúde.

Um conceito que chega da Europa do Norte…
E que é completamente falso. Temos que lutar contra essa ideia. No Norte da Europa faz-se, se calhar, vinho com tudo menos com uva. Mas é preciso dizer que não estamos contra ninguém, porque sabemos que há vários processos produtivos para elaboração do vinho e respeitamos todos. Desde que tenham qualidade e sejam a identidade dos povos onde eles são executados. Isso é fundamental, porque estamos a tratar de um setor que também identifica os povos que lhe dão origem.

Até que ponto a intervenção de outras regiões vitivinícolas portuguesas pode ter um papel relevante neste seu mandato de três de anos?
Foi muito importante para mim estar estes dias em Itália com todos os membros portugueses do Conselho de Administração da Rede Europeia de Cidades do Vinho. Estiveram os colegas de Lamego, em representação do Norte do Portugal, essencialmente do Douro, estava o presidente da Câmara do Cartaxo, representando Lisboa e Vale do Tejo, estava o presidente da Câmara de Palmela, representando tudo aquilo que é a Península de Setúbal. Depois estava eu em representação do Alentejo. Quer isto dizer que, ao nível da Associação Nacional de Municípios do Vinho, temos tido uma postura absolutamente transversal em termos das várias realidades que Portugal tem. Este acaba por ser um bom exemplo daquilo que as regiões têm que fazer.

Refere-se à questão da união?
Sim, temos que nos unir todos. Temos todos perspetivas diferentes, mas temos uma mais-valia para identificação das prioridades da rede. O empenho agora demonstrado, com representações ao mais alto nível de Portugal e Itália, é muito importante, independentemente das nossas formas de estar na vida e de cada região vitivinícola que defendemos.

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